Um helicóptero, uma viatura de emergência, duas ambulâncias e a polícia acorreram na madrugada de sábado a Cinfães para um acidente com vítimas encarceradas e inconscientes. Afinal, era mentira.
O caso seria apenas mais um dos que se registam frequentemente com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), não fossem os elevados meios envolvidos. Doze pessoas e centenas largas de euros.
Por volta das zero horas de sábado passado, a delegação Norte do INEM recebeu a chamada. Muito explícita: teria havido um acidente grave em Cinfães, três vítimas estariam inconscientes e encarceradas. Foi chamada única, o que é raro em caso de acidente de viação. O INEM ligou de volta e confirmou os dados, gravidade e coordenadas geográficas. E accionou os meios: o helicóptero estacionado no Porto, a cerca de 80 quilómetros de Cinfães, a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) do Vale do Sousa (a 45 km), duas ambulâncias dos bombeiros de Cinfães e de Nespereira e a autoridade policial. No total, doze elementos.
Dez minutos depois, estavam no local para se deparar com... nada. Nova ligação para o número que fez a chamada inicial levaria à conclusão temível: era uma brincadeira. "Desta vez, informa que o acidente foi no Marco de Canaveses, deixando claro, com a incoerência nas informações, de que se tratava de uma chamada falsa", diz o INEM.
Contactada pelo JN, fonte do instituto não adiantou os custos envolvidos, mas indicou, só para o helicóptero, que precisa de vários minutos para levantar voo e que cada saída fica por "centenas de euros". Neste caso, o destino era um concelho com acessos difíceis, o que não facilita.
O drama das chamadas falsas continua a ser "grave", apesar de muitas delas serem facilmente despistáveis no decurso da chamada. Calcula-se que correspondem a mais de 40% do total de chamadas recebidas pelo INEM.
Para exemplificar, no caso da região de Lisboa e Vale do Tejo, no ano passado foram atendidos 389.287 telefonemas. Dessas, 70,2% levaram ao accionamento de meios. As restantes dividem-se entre chamadas falsas e situações resolvidas com aconselhamento médico por telefone. Dos accionamentos, "cerca de 5%" são em resultado de brincadeiras. E algumas acabam por desviar os meios de situações reais.
O caso deverá seguir agora para as autoridades judiciais, sob a forma de denúncia contra pessoas incertas, adiantou a mesma fonte, uma vez que o INEM não tem legitimidade para fazer a traçabilidade das chamadas. Só depois de aberto inquérito policial é que se pode passar à escuta das gravações.
in Jornal de Noticias, 11-03-2009
Por estas e por outras, não vamos a lado nenhum...tenham vergonha!
quarta-feira, 11 de março de 2009 | Publicada por XMaria à(s) 02:35
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

0 comentários:
Enviar um comentário